Gestão de operadora de Saúde: seu controle de OPME é efetivo?

Práticas sustentáveis e uso de tecnologia ajudam a evitar gastos desnecessários e prejuízos na compra dos dispositivos

Gestão de operadora de Saúde: seu controle de OPME é efetivo?

A aquisição de órteses, próteses e dispositivos médicos implantáveis (OPMEs) é parte do cotidiano da gestão de operadoras de saúde no País. Apesar disso, é vista como um processo desafiador, já que os materiais são caros e, além disso, é preciso lidar com questões que envolvem a necessidade de troca de tecnologias e o acompanhamento de profissionais de diversas áreas. Há também alto risco de ocorrerem irregularidades e ações judiciais que obriguem as organizações a adquirirem materiais importados e de alto custo.

Entre os fatores de exposição da gestão de operadoras de saúde na compra desses dispositivos estão a alta frequência de uso, que pode mascarar pedidos suspeitos e o tamanho de algumas OPMEs, como próteses ortopédicas e neurológicas, além dos stents cardiológicos, que, por serem muito pequenos, são de difícil averiguação pós-cirúrgica.

Outro ponto a ser considerado é a autonomia do médico para tomar a decisão sobre o tratamento do paciente e o uso das OPMEs, incluindo a marca e o modelo que deverá ser adquirido pela operadora, exige maior acuracidade no processo para evitar que haja beneficiamento de fornecedores em detrimento de outros. Mas o médico não é o único responsável pela prática irregular. Somado a isso, pode haver lobby de um determinado fornecedor no hospital, já que apesar de haver muitos itens e produtos disponíveis no mercado, há poucas empresas que fornecem os dispositivos.

A operadora ainda está sujeita a outras fragilidades no processo de aquisição das OPMEs, como atitudes antiéticas ou ilegais e prática de concorrência desleal, como pagamento de comissões por indicação e até desvios ou fraudes de materiais.

 

Gestão sustentável

Diante desses fatores, garantir a gestão sustentável de OPMEs é crucial para evitar custos desnecessários dentro de uma operadora de saúde. Para alcançar o resultado, é preciso compartilhar medidas que apoiem não só a administração dos negócios de hospitais, operadoras e fornecedores, mas a sobrevivência de toda a cadeia de atendimento. É preciso atenção aos pontos descritos abaixo. Caso alguma etapa do processo não seja cumprida, as chances de a gestão de OPME na operadora não ser segura tendem a aumentar.

 

Equipe multidisciplinar

A gestão de OPMEs nas operadoras de Saúde deve contar com equipe multidisciplinar, incluindo profissionais das áreas médica, administrativa, jurídica e auditoria, para a realização de avaliação da necessidade de compra de determinado dispositivo. O principal objetivo é evitar as fraudes, já que cada profissional, dentro da sua especialidade, irá analisar a coerência dos pedidos com o procedimento médico informado e se estão nos custos previstos pela organização.

 

Junta médica

A avaliação da compra por uma junta médica também evita custos desnecessários, já que considera a coerência e a necessidade do pedido, atrelada ao preço dos materiais e à necessidade do paciente. Deve ser vista como mais que uma simples validação, mas sim uma prática institucionalizada na gestão da operadora de Saúde.

 

Acompanhamento

Outra indicação é o acompanhamento, pela instituição, das cirurgias e procedimentos de implantação dos dispositivos, comprovando, assim, a utilização dos materiais. Essa comprovação pode ser feita tanto in loco quanto por meio da entrega de exames realizados antes e depois dos procedimentos.

 

Modelos de reembolso

As operadoras podem ainda solicitar o reembolso de sobras de OPMEs que permaneceram no hospital. Também é possível negociar com o fornecedor das OPMEs, arcando somente com o que foi usado.

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Tecnologia a favor

Além da eficiência no gerenciamento das aquisições de OPMEs, a tecnologia se torna aliada na tarefa de unificar interesses assistenciais a um controle de custos que garanta a sustentabilidade do sistema.

A informatização deve contemplar seis aspectos essenciais para garantir a sustentabilidade da gestão dos OPMEs. O primeiro deles é a capacidade de detectar incoerências, ou seja, avaliar se o material solicitado é incompatível com a necessidade do paciente. Também é preciso que o sistema realize o esquadrinhamento de grupos de risco, cruzando itens de OPME por grupo de risco ou faixa etária, para permitir uma análise sobre os produtos mais utilizados e maior previsibilidade para a aquisição dos materiais — o que, sem o sistema digitalizado, poderia demorar meses ou anos para se chegar ao mesmo quadro.

Na parte financeira, é importante que o sistema faça a equivalência dos produtos, oferecendo sugestões de OPMEs equivalentes e de menor custo para o solicitante de um dispositivo importado. Deve haver ainda possibilidade de comparação de preços, com histórico dos valores praticados por todos os fornecedores, a fim de estimular negociações em caso de preços acima da última cotação. A ferramenta de cotação eletrônica também é importante porque reúne os preços dos fornecedores das OPMEs, para fins de comparação.

Outro item importante na tecnologia escolhida é a consignação de OPMEs, que registra as compras pelo hospital e o ressarcimento pela operadora quando o material é utilizado. Com esses recursos e cuidados, é possível à operadora de saúde garantir a gestão desses materiais sem prejuízos financeiros ou fraudes, atendendo com qualidade os pacientes que realmente precisam dos dispositivos.

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