Qual a diferença entre Prontuário Eletrônico e Prontuário Digital?

Pode parecer a mesma coisa, mas não é. Entre um perfil e outro de solução, está em jogo a qualidade e a segurança no cuidado com o paciente

Qual a diferença entre Prontuário Eletrônico e Prontuário Digital?

A saúde brasileira, que trilha uma bem-vinda e promissora jornada de digitalização de processos, deve celebrar um importante passo: nos últimos anos, um maior percentual de estabelecimentos de saúde vem adotando algum tipo de sistema eletrônico para registro das informações dos pacientes. Até o ano passado, 88% possuíam um sistema dessa natureza, fatia seis pontos percentuais maior do que em 2019, de acordo com a mais recente pesquisa TIC Saúde, elaborada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil. 

Tal notícia, sem dúvidas, é positiva, afinal, todo passo no campo do digital é um progresso. Ao mesmo tempo, o levantamento também evidencia janelas de oportunidades nessa agenda, seja ampliando a presença dos sistemas eletrônicos ou, especialmente, aprimorando os que já existem, com vistas ao pleno exercício da integração das informações dos pacientes e sua pronta visualização por toda a instituição de saúde em tempo real — funcionalidade que é proporcionada, por exemplo, pela solução de Prontuário Eletrônico do Paciente, o PEP.  

Os espaços para avanço da digitalização podem ser notados em outro dado da pesquisa: embora tenham ganho participação, funções voltadas ao suporte de decisões estão presentes em apenas 34% dos estabelecimentos de saúde. “A disponibilização das informações de cada paciente para todas as áreas de um hospital amplia a qualidade e segurança do atendimento e melhora as experiências dos pacientes e dos profissionais”, observa a diretora de Produtos da MV, Daennye de Andrade Oliveira. “Por isso, todo o setor de saúde precisa ter clareza sobre as diferenças entre o prontuário eletrônico e o chamado prontuário digital”, alerta.  

Prontuário eletrônico X prontuário digital: qual a diferença?  

Apesar de soarem quase como sinônimos, esses dois perfis de soluções apresentam abrangência muito distintas. A diretora da MV explica que o Prontuário Eletrônico do Paciente é uma solução que consiste em dados estruturados e interligados.

“No PEP, estamos falando da integração e do compartilhamento, em tempo real, das informações do paciente entre todas as áreas do hospital, como recepção, assistência, farmácia, faturamento, hotelaria e limpeza, por exemplo. Todos sabem o que está acontecendo, justamente, porque a informação está sendo trocada de forma permanente”, esclarece Daennye de Andrade Oliveira. 

“Por exemplo, se o médico solicita uma prescrição de medicamento no PEP, essa demanda cai, automaticamente, na farmácia e na área de faturamento para cobrança, porque tudo está interligado. E se houver alguma inconsistência ao longo da cadeia, o sistema alerta os envolvidos.”  

Já no chamado prontuário digital, por mais que haja informações armazenadas no ambiente online, elas não estão integradas, ou seja, são tratadas de forma isolada, exigindo processos, pessoas e tempo para que elas circulem entre as áreas.

“Neste caso, por exemplo, o médico prescreve o medicamento para o paciente, mas a informação não aparece para a farmácia de forma automática para que seja gerada a dispensação. Ou seja, o médico precisa imprimir ou digitalizar o pedido para que ele seja enviado até a farmácia, processo que consome tempo e que pode gerar falhas na administração do medicamento”, observa a especialista.  

Em complemento, a executiva da MV ilustra outro cenário em que o conceito de prontuário digital pode ser prejudicial ao paciente e ao hospital.

“Se o paciente chega na recepção num cenário de urgência e ele relata para a enfermeira que é alérgico a algum medicamento, mas não existe a integração dessa informação com as áreas subsequentes pelas quais ele tende a passar, o médico pode ficar vulnerável a prescrever o medicamento tido como inadequado para aquele paciente. Outra possibilidade de falha pode ocorrer na farmácia, onde o profissional — sem contar com um sistema que emita um alerta em caso de inconsistência de informação — pode ter um erro de leitura e administrar outro medicamento, com nome semelhante ao prescrito, expondo o paciente a vários tipos de intercorrência”, exemplifica Daennye. “A principal consequência no uso da prescrição digital — e não eletrônica — é a perda da segurança do cuidado com o paciente.”  

PEP: qualidade e segurança das informações 

O Prontuário Eletrônico do Paciente, vinculado diretamente à segurança da assistência, garante que as informações cheguem às pessoas corretas e no momento adequado, tudo em tempo real. Se essas informações não são repassadas de forma automática entre uma área e outra, obrigando que os profissionais tenham que procurá-las, está aí a causa de muitas falhas que podem gerar sérios danos ao paciente, inclusive o expondo ao risco de óbito.  

O PEP é um meio eletrônico de registro de informações de forma estruturada, com avisos, lembretes e apoio à decisão clínica. “Quando falamos em hospital digital, entramos no chamado circuito fechado da administração do medicamento. Ele contempla o processo da prescrição eletrônica (com alertas e lembretes), passa pela dispensação eletrônica e culmina com a checagem ‘beira leito’, ou seja, eu vou bipar o medicamento e, se houver alguma inconsistência, o profissional da saúde será alertado. Com isso, evita-se a administração de medicamentos com nomes parecidos, como dopamina e dobutamina, por exemplo, ou falhas no horário. Para ser um hospital digital, é precisa ter o prontuário eletrônico integrado em todas as áreas”, acrescenta a diretora da MV.  

As mudanças necessárias para o PEP avançar 

Considerando a sensibilidade que existe no atendimento dos pacientes e a contribuição que o Prontuário Eletrônico concede nos campos da eficiência, qualidade e segurança, por que muitas instituições ainda estão fora desse jogo?  

Para Daennye, um dos principais entraves é olhar o desembolso com o PEP como um custo, algo que ainda ocorre em  muitas empresas. “Os hospitais não podem enxergar essa solução como um gasto, mas como um investimento. Quem a possui está investindo na segurança do cuidado e obtém muito mais eficiência em seus processos. Isso traz retorno e blinda o hospital de falhas graves, que podem se traduzir em onerosos passivos”, observa.  

A diretora da MV também lista o fator cultural como outro empecilho a ser vencido, juntamente com a falta de conhecimento sobre os benefícios que o PEP pode proporcionar ao hospital. “Outro fator, dependendo da instituição, é a falta de profissionais preparados para o uso da tecnologia. Por isso que é tão importante o investimento em capacitação”.  

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