Triagem hospitalar: protocolo de Manchester, tecnologia e integração da jornada do paciente

A classificação de riscos baseada em cores é largamente utilizada nos hospitais brasileiros - e a integração da metodologia com software e equipamentos pode deixar tudo ainda mais rápido e seguro

Triagem hospitalar: protocolo de Manchester, tecnologia e integração da jornada do paciente

A triagem hospitalar com base em uma classificação de riscos é usada nas unidades de Urgência e Emergência em Saúde para priorizar a assistência conforme o estado de saúde dos pacientes. Há diversos protocolos em uso no mercado — o Humaniza SUS é um deles, comum à rede pública; e não raro hospitais criam suas próprias regras de conduta. Contudo, no geral, um protocolo escolhido por boa parte dos hospitais no Brasil é, hoje, o protocolo de Manchester.  

De forma geral, os protocolos de triagem visam a agilizar o atendimento à emergência otimizando os recursos hospitalares, sejam eles humanos ou tecnológicos, para poderem ser usados nas pessoas que mais necessitam deles naquele momento, tudo num contexto clínico que permite à gestão hospitalar ser mais eficiente na classificação de riscos. O protocolo de Manchester usa as cores vermelho, laranja, amarelo, verde e azul para facilitar essa orientação — e a segurança do paciente pode ser ainda maior se, junto da metodologia, for adotada a tecnologia.  

“O protocolo de Manchester é fundamental para a triagem dos pacientes com maior probabilidade de estar sofrendo um evento clínico grave. E, para isso, leva em consideração dados como a frequência cardíaca e respiratória, a temperatura, a queixa do paciente e seu estado geral, para classificar o risco a partir de uma escala de cores de fácil identificação. Assim, a equipe assistencial saberá facilmente para onde ele deve encaminhar o paciente e o tempo que ele pode aguardar para ser atendido”, resume Fernando Teles de Arruda, médico e coordenador do curso de medicina da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), com passagens como gestor pelas Santas Casas de Araraquara e Ribeirão Preto.  

Conheça as cinco classificações do protocolo de Manchester:  

  • Vermelho — Emergência. Requer atendimento imediato.  
  • Laranja — Muito urgente. Atendimento nos próximos 10 minutos. No Brasil esta classificação foi englobada à cor vermelha e, por isso, o laranja caiu desuso. 
  • Amarelo — Urgente. Atendimento em até 60 minutos.  
  • Verde — Pouco urgente. Atendimento em 120 minutos.  
  • Azul — Não urgente. Atendimento em 240 minutos.   

“Protocolos de triagem são baseados em processos para que as equipes bem treinadas possam ter a sensibilidade de identificar os pacientes potencialmente mais graves. Também ajudam a garantir uma maior especificidade nessa seleção, pois mais de um indicador é levado em conta”, conta Arruda, exemplificando:

“Pense que a frequência cardíaca elevada pode indicar casos graves, como arritmias e sepse, mas também é sinal de uma crise de ansiedade. É por isso que sempre é usado mais de um item nessa classificação”.

  

Uso de software na triagem 

Antes da adoção dos protocolos de triagem, a ordem de chegada dos pacientes era preponderante para determinar a fila de atendimento, com crianças e idosos tendo prioridade.

“E isso era ruim, porque critérios não clínicos possivelmente causaram o agravamento de condições clínicas que poderiam ser melhor socorridas”, enfatiza o médico.   

Foi nesse contexto que o protocolo de Manchester surgiu e acabou sendo o mais difundido em hospitais brasileiros, já que é de fácil aplicação e treinamento para as equipes. E com o uso da tecnologia ele pode ser ainda mais eficiente.

“Todo protocolo de triagem é baseado em pontuações para classificar resultados normais e alterados. E, nesse sistema binário, o uso de um software já determina a cor do risco de cada paciente a partir das informações que o profissional de Saúde adiciona ao sistema.”

“O uso da tecnologia no processo de triagem dá início a uma cadeia de ações que emite os alertas necessários a toda a equipe, analisa os estoques de insumos para otimizar os recursos e dá início ao preparo de salas de cirurgia, entre outras ações relevantes para aquele paciente em si”, Fernando de Teles de Arruda, coordenador do curso de medicina da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS).

 

Outros ganhos da tecnologia

A tecnologia pode acelerar a coleta dos dados vitais dos pacientes na triagem, com o uso, por exemplo, de um monitor para aferir os números em poucos segundos.

“Dá para monitorar a frequência cardíaca e identificar arritmias de forma imediata e com hipermultiparâmetros”, exemplifica o médico.  

Os equipamentos tecnológicos otimizam o tempo de triagem, aumentam a sensibilidade dos dados — que passam a ser exatos e sem o viés humano da aferição — e, por fim, trazem mais segurança às equipes assistenciais e, consequentemente,  à gestão hospitalar.

“Com a tecnologia a triagem fica mais diretiva, mais rápida e mais precisa”, elenca o especialista.  

 

Integração de dados e segurança

Ainda sobre o quesito segurança, a integração dos dados obtidos nessa jornada do paciente na instituição de saúde é a melhor forma do profissional saber do começo ao fim da assistência tudo o que aconteceu, como conta Arruda.

“O Prontuário Eletrônico é a ferramenta mais confiável para traçar uma linha temporal de atendimento médico, identificando os profissionais e suas condutas. E essa informação pode ser ainda mais importante quando associada à integração desses dados com os exames realizados na emergência, além dos dados vitais e de outras descobertas importantes da triagem.” Só que ainda é comum encontrar falta de integração.

“Há muitos hospitais que utilizam um sistema na emergência e outro, diferente, na internação, o que muitas vezes atrasa o atendimento e desperdiça recursos hospitalares.”

Claro que a integração e a universalização dos dados, bem como a aplicação da LGPD, devem ser bem discutidas em cada hospital para o acesso ser apenas pelas pessoas envolvidas na assistência. Assim, a tecnologia pode ser usada seguramente para salvar vidas.  

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